segunda-feira, 16 de abril de 2007

Quando eu era criança, meu pai comprou um dos primeiros telefones da vizinhança. Lembro-me bem daquele velho aparelho preto, em forma de caixa, bem polido, afixado à parede. O receptor brilhante pendia ao lado da caixa.
Eu ainda era muito pequeno para alcançar o telefone, mas costumava ouvir e ver minha mãe enquanto ela o usava, e ficava fascinado com a cena!
Então, descobri que em algum lugar dentro daquele maravilhoso aparelho existia uma pessoa maravilhosa - o nome dela era "Informação, por favor" e não havia coisa alguma que ela não soubesse. "Informação, por favor" poderia fornecer o número de qualquer pessoa e até a hora certa.
Minha primeira experiência pessoal com esse "gênio da lâmpada" aconteceu num dia em que minha mãe foi à casa de um vizinho. Divertindo-me bastante mexendo nas coisas da caixa de ferramentas no porão, machuquei meu polegar com um martelo.
A dor foi horrível, mas não parecia haver qualquer razão para chorar, porque eu estava sozinho em casa e não tinha ninguém para me consolar. Eu comecei a andar pelo porão, chupando meu dedão que pulsava de dor, chegando finalmente à escada e subindo-a.
Então, lembrei-me: o telefone! Rapidamente peguei uma cadeira na sala de visitas e usei-a para alcançar o telefone. Desenganchei o receptor, segurei-o próximo ao ouvido como via minha mãe fazer e disse:
"Informação, por favor!", com o bocal na altura de minha cabeça.
Alguns segundos depois, uma voz suave e bem clara falou ao meu ouvido:
"Informação."
Então, choramingando, eu disse: "Eu machuquei o meu dedo..."
Agora que eu tinha platéia: as lágrimas começaram a rolar sobre o meu rosto.
"Sua mãe não está em casa?", veio a pergunta.
"Ninguém está em casa a não ser eu", falei chorando.
"Você está sangrando?" Ela perguntou.
"Não." Eu respondi. "Eu machuquei o meu dedão com o martelo e está doendo muito!"
Então a voz suave, do outro lado falou: "Você pode ir até a geladeira?"
Eu disse que sim. Ela continuou, com muita calma:
"Então, pegue uma pedra de gelo e fique segurando firme sobre o dedo."
E a coisa funcionou! Depois do ocorrido, eu chamava "Informação, por favor" pra qualquer coisa. Pedia ajuda nas tarefas de Geografia da escola e ela me dizia onde Filadélfia se localizava no mapa. Ajudava-me nas tarefas de Matemática. Ela me orientou sobre qual tipo de comida eu poderia dar ao filhote de esquilo que peguei no parque para criar como bichinho de estimação.
Houve também o dia em que Petey, nosso canário de estimação, morreu. Eu chamei "Informação, por favor" e contei-lhe a triste estória. Ela ouviu atentamente, então falou-me palavras de conforto que os adultos costumam dizer para consolar uma criança.
Mas eu estava inconsolável naquele dia e perguntei-lhe:
"Por que é que os passarinhos cantam de maneira tão bela, dão tanta alegria com sua beleza para tantas famílias e terminam suas vidas como um monte de penas numa gaiola?"
Ela deve ter sentido minha profunda tristeza e preocupação, pelo fato de haver dito calmamente:
"Paul, lembre-se sempre de que existem outros mundos onde se pode cantar!" Não sei porquê, mas me senti bem melhor.
Numa outra ocasião, eu estava ao telefone: "Informação, por favor".
"Informação," disse a já familiar e suave voz.
"Como se soletra a palavra consertar?" Perguntei.
Tudo isso aconteceu numa pequena cidade da costa oeste dos Estados Unidos. Quando eu estava com nove anos, nos mudamos para Boston, na costa leste. Eu senti muitas saudades de minha voz amiga!
"Informação, por favor" pertencia àquela caixa de madeira preta afixada na parede de nossa outra casa; e eu nunca pensei em tentar a mesma experiência com o novo telefone diferente que ficava sobre a mesa, na sala de nossa nova casa.
Mesmo já na adolescência, as lembranças daquelas conversas de infância com aquela suave e atenciosa voz nunca saíram de minha cabeça.
Com certa freqüência, em momentos de dúvidas e perplexidade, eu me lembrava daquele sentimento sereno de segurança que me era transmitido pela voz amiga que gastou tanto tempo com um simples menininho.
Alguns anos mais tarde, quando eu viajava para a costa oeste a fim de iniciar meus estudos universitários, o avião pousou em Seattle, região onde eu morava quando criança, para que eu pegasse um outro e seguisse viagem. Eu tinha cerca de meia hora até que o outro avião decolasse.
Passei então uns 15 minutos ao telefone, conversando com minha irmã que na época estava morando lá. Então, sem pensar no que estava exatamente fazendo, eu disquei para a telefonista e disse:
"Informação, por favor".
De um modo milagroso, eu ouvi a suave e clara voz que eu tão bem conhecia!
"Informação."
Eu não havia planejado isso, mas ouvi a mim mesmo dizendo: "Você poderia me dizer como se soletra a palavra consertar?"
Houve uma longa pausa. Então ouvi a tão suave e atenciosa voz responder: "Espero que seu dedo já esteja bem sarado agora!"
Eu ri satisfeito e disse: "Então, ainda é realmente você? Eu fico pensando se você tem a mínima idéia do quanto você significou para mim durante todo aquele tempo de minha infância!"
Ela disse: "E eu fico imaginando se você sabe o quanto foram importantes para mim as suas ligações!"
E continuou: "Eu nunca tive filhos e ficava aguardando ansiosamente por suas ligações."
Então, eu disse pra ela que muito freqüentemente eu pensava nela durante todos esses anos e perguntei-lhe se poderia telefonar para ela novamente quando eu fosse visitar minha irmã.
"Por favor, telefone sim! É só chamar por Sally".
Três meses depois voltei a Seattle. Uma voz diferente atendeu: "Informação".
Eu perguntei por Sally.
"Você é um amigo?" Ela perguntou.
"Sim, um velho amigo". Respondi.
Ela disse: "Sinto muito em dizer-lhe isto, mas Sally esteve trabalhando só meio período nos últimos anos porque estava adoentada. Ela faleceu há um mês."
Antes que eu desligasse ela disse: "Espere um pouco. Seu nome é Paul?"
"Sim". Respondi.
"Bem, Sally deixou uma mensagem para você. Ela deixou escrita caso você ligasse. Deixe-me ler para você."
A mensagem dizia: "Diga pra ele que eu ainda continuo dizendo que existem outros mundos onde podemos cantar. Ele vai entender o que eu quero dizer".
Eu agradeci emocionado e muito tristemente desliguei o telefone. Sim, eu sabia muito bem o que Sally queria dizer!
Paul Villiard

Canção do meu olhar


Se meu olhar te disser além,
muito além do que queres saber, desvia.
Se meu olhar me trair e deixar transparecer toda a ternura que tenho por ti,
disfarça.
Se meu olhar tentar assim te conquistar e seduzir
e o brilho ardente te incomodar, dissimula.
Se meu olhar, em teu olhar, encontrar a mesma sintonia,
por favor, sorria.

(Dúnia de Freitas)

mensagem de aprendizado



Não tente adivinhar o que as pessoas pensam a seu respeito.
Faça a sua parte, se doe sem medo.
O que importa mesmo é o que você é.
Mesmo que outras pessoas não se importem.
Atitudes simples podem melhorar sua vida.
Não julgue para não ser julgado...
Um covarde é incapaz de demonstrar amor
- isso é privilégio dos corajosos."

(Gandhi)

Mulheres










"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.
Pare para refletir sobre o sexto-sentido.Alguém duvida de que ele exista?
E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?
E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?
E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece? O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro! "Leve um sapato extra na mala, querido. Vai que você pisa numa poça..." Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...
O sexto-sentido não faz sentido!
É a comunicação direta com Deus! Assim é muito fácil... As mulheres são mães!
E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?
E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral. Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...
Tudo isso é meio mágico... Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).
As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?
Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...
É choro feminino. É choro de mulher...
Já viram como as mulheres conversam com os olhos?
Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outro olhar. Quantos tipos de olhar existem?
Elas conhecem todos...
Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.
EN-FEI-TI-ÇAM !
E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas? Para estudar os homens, é claro! Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...
Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro". Quer evidência maior do que essa? Qualquer um que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim.
O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas. É sabido que as mulheres confundem sexo e amor. E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida. Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado. Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo. Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos. E levitam. Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam. Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora."


(Luís Fernando Veríssimo)

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Ser professor tem lá suas vantagens




Ser professor tem lá suas vantagens. Chego logo lendo
Drummond. Também leio gestos, detalhes de olhares,
cochichos; leio com o rabo do olho o bilhete escrito com a tinta
da emoção e passado de mão em mão; percebo o momento
exato em que o dono das piores notas decidiu, depois de fundo
suspiro, não mais viver nos vãos da vida. Sala de aula é salão de
arte. Cor em movimento. Caco cubista de pintor moderno.
O japonesinho, sempre sorriso, balança o cabelo liso
em movimentos que fazem suspeitar o novo sucesso do pop
nacional. Faz pausas, estala os dedos no ar, emite pequenos
sons. Escapa da sala quente contando os tijolinhos da parede,
folheando uma a uma as páginas da apostila, sonhando com
uma rede, um sol quente, uma menina bonita fazendo cafuné no
pé. Lá no fundão, Miquinho sente-se à vontade no exercício de
uma mímica natural, intuitiva. Passa por mim fazendo onda
com a mão e entra no meio do redemoinho de alunos. Esgueirase
entre carteiras e senta-se lá. Logo vira bola balançando no
espaço móvel da cadeira. Suzi se assusta. Apesar de mais alta,
mais forte e mais brava, é sensível e morre de medo do mundo.
Solta o cabelo longo sobre o rosto e se esconde numa caverna
de silêncio e solidão. Raquel é mais radical: quer ser freira e
rápido. Tem uma gargalhada gostosa de gente que sente já o
gozo da vida eterna. Por pouco não ficou falada na festa de
formatura do irmão ao dançar com Rodrigo. Esse sim, um Dom
Juan. Não tem a beleza postiça do garoto-propaganda, mas tem
charme. A mania de amar que tanto o diverte é herança doce do
avô, seresteiro de nascença. (...)
Ser professor tem mesmo suas vantagens. Na viagem
de volta, entre malas e provas, carrego comigo os instantes de
fúria e aflição; as palavras de dor e devoção; a alegria de juntar
todo dia o fogo da juventude – que aquece a razão – e celebrar
o tempo, o espaço e a arte de conviver.
Paulo Angelini. Texto disponível em: http://www2.uol.com.br/aprendiz.
Acesso em 16/05/2006. Adaptado.

"sobre a língua"



Tornou-se lugar-comum dizer que o português do Brasil é diferente do de Portugal. É uma questão polêmica que exalta as
paixões há mais de um século. Nos debates para as Constituições de 1824, 1890 e 1946, apareceu como possibilidade a denominação
de “língua nacional”, “língua brasileira” e até de “brasileiro”, mas nenhuma chegou a ser concretizada. Assim, a língua brasileira
passou a ser ordinariamente chamada de “português brasileiro” e muitas vezes de “brasileiro”. No entanto, esse é um real problema
que, a qualquer momento de sua história, o Brasil terá que enfrentar e resolver, friamente, porque não é somente um problema de
terminologia. Não se definirá a língua brasileira sem que se determine, simultaneamente, a identidade nacional. Ambas são
estreitamente ligadas, e a questão da língua é tanto um problema de lingüística quanto de cultura e de sociedade.
Do ponto de vista lingüístico, o português brasileiro não é um dialeto, mas é, sim, uma variante de português. Historicamente,
as variantes brasileira e portuguesa tiveram uma evolução separada a partir do século XVI, por múltiplas razões, e apresentam hoje
diferenças estruturais importantes, de ordem lexical, sintática, morfológica e fonética. Há até quem considere que são dois idiomas
distintos.
Outro aspecto a ser observado, e que se refere essencialmente à língua falada, é a ausência de norma – ou língua-padrão –
nacional, o que já não é mais um problema exclusivamente lingüístico. A primeira causa para essa ausência é a falta de centro de
referência nacional. Portugal conhece vários dialetos regionais, mas tem Lisboa como pólo político, econômico e cultural; a norma
lisboeta, portanto, prevalece. No Brasil, por razões históricas, geográficas e demográficas, não há centro de referência. Cidades como
Rio de Janeiro e São Paulo possuem uma inegável primazia cultural, mas constituem duas referências lingüísticas originais que se
diferenciam ainda dos outros centros, que são as capitais dos Estados. A segunda causa é de ordem social: conforme a classe
socioeconômica e o nível escolar (altos, médios ou baixos), a língua falada apresenta numerosas variantes. Existe, então, no Brasil,
horizontal e verticalmente, uma importante variedade de dialetos e falas, regionais e locais, desiguais no teor e na representação
populacional.
Estabelecer uma norma falada – e ensinada – no Brasil, portanto, não é um problema simples. Em relação a isso, existem
duas linhas de pensamento opostas: uma que defende a integridade da língua portuguesa, outra que preconiza uma reforma radical em
função das especificidades brasileiras. Todavia, não há nenhum motivo para que predomine a língua falada por uma cidade, uma
região ou uma classe social, e também não se pode imaginar uma solução regressiva que consistiria em decalcar a norma sobre a
língua falada. Existe realmente um termo médio? A resposta está nas pesquisas que estão sendo realizadas já há alguns anos no campo
da Lingüística. Mas qualquer que seja a solução, não poderá haver reforma sem escolhas arbitrárias e eliminações, que certamente
surtirão sofrimentos e frustrações nos que, com total dedicação, envolvem-se na questão da língua.
Jean Baptiste Nardi. Artigo disponível em: http://lingua-brasileira.blogspot.com.
Acesso em 17/05/2006. Adaptado.

"Se eu deixasse"


Se eu deixasse algum presente a você,
deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos.

A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora.
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.

Deixaria para você, se houvesse, o
respeito àquilo que é indispensável:

Além do pão; o trabalho.
Além do trabalho; a ação.

E quando tudo mais faltasse, um segredo:

o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída.
(Gandhi)